quinta-feira, 29 de maio de 2014

Esta música

  • Estava a tocar no rádio quando a minha mãe telefonou a dizer que não ia fazer quimioterapia e estava de rastos.
  • Quando a minha mãe telefonou a última vez para mim.
  • Quando entrei na funerária, a musica tocava no café ao lado.

É impossível não me lembrar sempre dela quando a ouço.



terça-feira, 27 de maio de 2014

A festa

Foi tão boa.
A Pimpolha adorou e divertiu-se muito.
Estivemos juntos como já não o estávamos há vários meses.
O sentimento de falta foi igual em todos, faltava alguém, que adorava estas festinhas e estas alegrias, mas ela esteve a olhar por nós e a rir-se connosco.
Apesar de tudo, foi um dia feliz, de recordações, emoções e alegria.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Hoje é dia de festa

A minha sobrinha mais linda do mundo faz 24 anos.
E parece que que foi ontem que a fui ver ao hospital e o meu coração encheu-se de alegria.
E já se passaram 24 anos, como é que é possível.




sexta-feira, 23 de maio de 2014



E passou-se um ano

Lembrou-me perfeitamente deste dia, do percurso, da médica, da unidade de oncologia, do medo que senti quando entrei, da médica a dizer-me o que se passava, do meu desespero, das minhas lágrimas, da minha mãe a fazer uma punção lombar.
A minha dor, a conversa com a médica que me deu muita esperança e optimismo.
O ter que contar a minha mãe o que tinha, aqui na minha casa, ao almoço dizer-lhe "Mãe, tens um cancro..."
Foi duro, muito duro.
Sempre acreditei que não fosse este o seu fim, que o linfoma ia desaparecer, que não ia ganhar as proporções que ganhou.
E a minha mãe já cá não está, um ano depois choro a sua morte e sofro muito.
Foi um ano de muita luta, de muita esperança, de acreditar, mas a doença foi mais forte, mais cruel.
A vida é mesmo muito injusta.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Alegria

Hoje chega a minha sobrinha da Noruega.
Era um dia muito esperado.
A minha mãe todos os dias perguntava se faltava muito para a menina chegar, eu dizia-lhe que só faltavam uns diazinhos, esses diazinhos passaram e ela chegou.
Tenho tantas saudades dela, vai ser bom para matar saudades, a Pimpolha vai estar com a prima e sei que vamos passar uns dias felizes, de recordações, e festejar o seu aniversário.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

Sinto-me

Tão sozinha, já não tenho a minha mãe para desabafar, para contar-lhe as minhas coisas, os meus medos, as minhas ansiedades, tudo aquilo que sempre partilhei com ela, que só ela sabia.
A dor continua enorme, e as saudades essas, são uma coisa que doem, fazem sofrer, mas tanto.
As vezes penso que o telemóvel vai tocar e é ela, pensar que nunca mais a vou ver ou ouvir, epá, é uma tortura.
A Pimpolha tem sido uma grande apoio, pois tem-me dado muitos miminhos e anda muito meiguinha comigo.
Por vezes tem momentos de dúvidas e chora comigo, nesses momentos vou-me muito abaixo, mesmo muito, ela quer falar com a avó, e eu disse-lhe que quando ela tivesse vontade de estar e falar com a avó, falasse para a foto delas, e ela faz isso, mas por vezes, começa a dizer, que não quer falar para a foto, quer a avó mesmo a sério, e isso doí tanto, porque era o que eu mais queria também.

sexta-feira, 16 de maio de 2014



Lindo

"A morte nada é. Eu estou apenas noutro lado, Eu sou eu, tu és tu. Aquilo que éramos um para o outro Continuamos a ser. Chamem-me como sempre me chamaram. Falem-me como sempre me falaram. Não mudem o tom da vossa voz. Nem façam um ar solene ou triste. Continuem a rir daquilo que juntos nos fazia rir. Brinquem, sorriam, pensem em mim, Rezem por mim. Que o meu nome seja pronunciado em casa Como sempre foi;
Sem qualquer ênfase, Sem qualquer sombra. A vida significa o que sempre significou. Ela é aquilo que sempre foi. O “fio” não foi cortado. Porque é que eu, Estando longe do vosso olhar, Estaria longe do vosso pensamento? Espero-vos, não estou muito longe, Somente do outro lado do caminho. Como veem, Tudo está bem."
Henry Scott Holland

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Dia da Família

Faltava a avó que alinhava sempre nestes eventos e que adorava ir ver a netinha.
Mas lá fui, o meu irmão foi comigo, e foi uma horinha divertida, e a minha menina estava feliz.

Hoje


Lá vou eu para a escolinha da Pimpolha para uma actividade.




domingo, 11 de maio de 2014

Dor

Nunca pensei que pudesse sofrer tanto, que conseguisse suportar esta dor.
O meu maior medo sempre foi perder a minha mãe, e ao viver este pesadelo, nem sei como é que é possível sentir isto.
A médica cada vez que falava comigo, dizia sempre que a minha mãe era uma doente com muita força, que nunca conheceu ninguém assim, tão lutadora, tão guerreira, e essas palavras não eram novidade para mim, mas magoam-me tanto, ela lutou tanto para viver, e isso não chegou.
A vida é tão injusta, tão cruel, para alguém tão boa, tão generosa, que estava sempre pronta para ajudar toda a gente, que sofreu tanto na vida.
A médica disse-me que ela estava sempre a falar de mim, e da neta, que também falava dos outros filhos, mas que de mim, era uma coisa por demais, sabia que eu era a filha mais frágil e estava sempre muito preocupada connosco.
Sim, sou frágil, mas ela sabia que eu era a filha que mais precisava dela, ela e eu sempre estivemos juntas, sempre fomos só as duas para tudo, uma para a outra, e ela sabia disso.
Tantas vezes que ela chorou a queixar-se dos filhos, dos netos, e depois dizia, que eu era diferente.
Pois era, eu como filha mais nova, fui a mais mimada, a mais protegida, mas a que nunca a deixou, todos os dias falava com a minha mãe, se não pudesse ir lá a casa, num dia ia no outro, nunca estava dois dias sem a ver, nem conseguia.
E agora nunca mais a vou ver, é uma dor, queria tanto acordar deste pesadelo, e que isto fosse tudo irreal, esta dor, este sofrimento.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O reencontro

Ontem a Pimpolha foi ver a avó, as enfermeiras lá arranjaram um estratagema e a Pimpolha subiu para ver a avó.
Foi uma emoção enorme.
Desta vez não choraram, mas aproveitaram o momento juntas.
Quem chorou fui eu, quando a Pimpolha dizia que queria que a avó fosse para casa, para irem ao parque e ao Pingo Doce.
Pode ter sido a última vez que se viram, e isso mata-me por dentro, é uma dor sem tamanho.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Afinal

Não houve dentista nenhum.
Não tinha consulta marcada, já é a terceira vez que chego lá e não marcaram a consulta.
Enfim, virar costas, respirar fundo para não me chatear.
Na sexta há mais.

Que nervos

Daqui a meia hora lá estarei.
E já estou aqui a tremer feita parva.
MEDOOOO




terça-feira, 6 de maio de 2014

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Dia da Mãe

Normalmente neste dia almoço sempre com a minha ma~e e passo o dia com ela, este ano como é óbvio, foi mais tristonho.
Não almoçamos, mas passei parte do dia com ela, comprei-lhe uma caixinha de bolachinhas que ela gosta.
Estava triste, recebeu a caixa e não escondeu a tristeza, não era assim que queria passar o dia.
Apesar de tudo a Pimpolha fez uma surpresa linda, na escolinha.
Tivemos uma aula de Zumba, e divertimo-nos muito.
Deu para esquecer as tristezas, rir e passarmos um bom momento.











sexta-feira, 2 de maio de 2014



Estou a morrer por dentro

Nem sei explicar como me sinto, uma dor, um sofrimento, uma dormência, uma sensação que não consigo explicar, uma revolta, uma impotência.
Já chorei tudo o que tinha a chorar e agora já nem consigo deitar uma lágrima.
A minha mãe não pode fazer mais quimioterapia, pois está a destruí-la, cada vez que faz chegam as infecções, a toxicidade é imensa e não esta a diminuir o tumor, que continua a crescer e cheio de força.
As dores começaram a aumentar cada vez mais, já está a receber morfina continuamente.
Já não há mais a fazer, vai ser transferida para a unidade de cuidados paliativos, e eu estou com tanto medo, tanto medo.
Ela já sabe que os tratamentos acabaram e que vai para outro sitio.
Não pára de dizer que quer ir para casa, está farta, saturada e muito cansada.
E eu estou com muito medo do que aí vem.